Se você tem glaucoma e a catarata apareceu, ou se pensa em deixar os óculos, este artigo responde se o glaucoma impede a cirurgia.
Então, quem tem glaucoma pode operar catarata? Sim. Ter glaucoma não impede, por si só, a cirurgia de catarata, e também não é uma proibição automática à cirurgia a laser para corrigir o grau. Entre os pontos que pesam na decisão estão se a pressão do olho está controlada, a saúde do nervo óptico e, no caso da catarata, o quanto ela já limita a visão. Essa análise é individual e acontece na avaliação.
Neste artigo, você vai entender:
- a diferença entre o laser que trata o glaucoma e o laser para tirar os óculos;
- que muitas pessoas com catarata também têm glaucoma, e o que muda na cirurgia nesse caso;
- quando a cirurgia de catarata pode ajudar a baixar a pressão e quando o efeito é pequeno;
- se dá para operar glaucoma e catarata juntos;
- o que a cirurgia pode melhorar e o que ela não devolve.
Antes de tudo, de qual laser estamos falando?
A palavra “laser” aparece em dois contextos bem diferentes na vida de quem tem glaucoma, e vale separar os dois antes de seguir:
- O laser do tratamento do glaucoma. Procedimentos como a iridotomia e a trabeculoplastia fazem parte do tratamento da própria doença e são usados, junto com os colírios, para ajudar a controlar a pressão ocular.
- O laser refrativo, o “laser para tirar os óculos”. Técnicas como o LASIK e o PRK atuam na córnea para corrigir o grau, com o objetivo de diminuir a dependência dos óculos.
São procedimentos diferentes, com objetivos diferentes. Em quem tem ângulo estreito, por exemplo, o que leva à iridotomia e o que leva ao LASIK são, em geral, fatores independentes.
Glaucoma e catarata: quando as duas aparecem juntas
Muitas pessoas com catarata também têm glaucoma, lembra a Academia Americana de Oftalmologia em sua página para pacientes. São condições diferentes:
- o glaucoma é uma doença do nervo óptico cujo principal fator de risco é o aumento da pressão dentro do olho;
- a catarata afeta o cristalino, a lente natural do olho, que na cirurgia é retirado e substituído por uma lente intraocular transparente.
Quando o glaucoma está bem controlado e é a catarata que está limitando a visão, a cirurgia de catarata pode ser indicada, com alguns cuidados a mais por causa do glaucoma. Como a cirurgia é feita e as opções de lente estão na página sobre cirurgia de catarata; aqui, o foco é o que muda quando existe glaucoma.
O que muda antes e logo depois da cirurgia
- Antes: a orientação, como regra, é chegar à cirurgia com a pressão controlada, com colírio e, quando indicado, laser. Se a pressão não controla com essas medidas, um procedimento voltado ao glaucoma, sozinho ou junto com a catarata, pode servir melhor ao caso.
- Logo depois: pessoas com glaucoma, mesmo com a pressão estável com colírio, têm mais chance de ter um pico de pressão nas primeiras horas após a cirurgia de catarata. Por isso, nos casos de maior risco, a recomendação é medir a pressão no dia da cirurgia ou no dia seguinte.
- No pós-operatório: o médico acompanha a pressão enquanto você usa os colírios do pós-operatório.
Tem glaucoma e a catarata já está atrapalhando a sua visão? Agende uma avaliação pelo WhatsApp e entenda o que se aplica ao seu caso.
A cirurgia de catarata ajuda a pressão ocular? Depende do tipo de glaucoma
Aqui entra o ângulo de drenagem: a região do olho por onde o líquido de dentro dele escoa. De forma simples, os glaucomas podem ser de ângulo fechado ou de ângulo aberto, e a cirurgia de catarata age de modo diferente em cada um.
No ângulo fechado, o cristalino pode fazer parte do problema. Em alguns casos, a catarata, quando fica densa, chega a empurrar a íris para a frente e fechar esse ângulo. Retirar o cristalino e colocar uma lente artificial no lugar pode reabrir o ângulo de drenagem e ajudar a baixar a pressão. O protocolo do Ministério da Saúde para o glaucoma prevê que o fechamento do ângulo causado pelo cristalino pode exigir a retirada dele, a chamada facectomia. Mesmo assim, não é uma regra para todos os casos de ângulo fechado.
No ângulo aberto, o efeito existe, mas é modesto e varia de pessoa para pessoa. Em algumas pessoas, a pressão cai e a necessidade de colírio diminui. Só que não há como prever com segurança quanto a pressão de cada um vai cair, e esse efeito tende a perder força aos poucos com o passar do tempo.
| Ângulo fechado | Ângulo aberto | |
|---|---|---|
| Efeito possível na pressão | Retirar o cristalino pode reabrir o ângulo e ajudar a baixar a pressão | Efeito modesto, variável e difícil de prever |
| Limite | Não vale para todos os casos de ângulo fechado | Não há como prever quanto a pressão vai cair |
| Com a pressão descontrolada | Não substitui o tratamento do glaucoma | Não substitui o tratamento do glaucoma |
| Depois da cirurgia | O acompanhamento do glaucoma continua | O acompanhamento do glaucoma continua |
Cirurgia de catarata e glaucoma juntas: quando é considerada
Para quem pergunta se pode operar glaucoma e catarata juntos, a resposta é que essa possibilidade existe. Quando a catarata atrapalha a visão e a pressão não está como deveria mesmo com remédio ou laser, o oftalmologista pode sugerir tratar as duas ao mesmo tempo.
Entre as opções estão as MIGS, microcirurgias que, em sua maioria, fazem o líquido preso sair do olho, removendo o bloqueio ou desviando dele com um pequeno tubo ou stent. A escolha da técnica é individual, definida na avaliação.
No SUS, o Ministério da Saúde anunciou em setembro de 2026 a incorporação de uma técnica que trata catarata e glaucoma ao mesmo tempo, voltada a casos leves a moderados de glaucoma primário de ângulo aberto, e a oferta efetiva nos serviços depende da implantação na rede.
Quando o glaucoma precisa de um procedimento próprio, sem relação com a catarata, as opções fazem parte do tratamento do glaucoma, explicado na página sobre a doença.
Quem tem glaucoma pode fazer cirurgia refrativa?
O glaucoma não é, por si só, uma proibição absoluta à cirurgia a laser para tirar os óculos. Também não é uma liberação automática.
A orientação é que a decisão leve em conta o grau e a gravidade do glaucoma e a saúde do nervo óptico, avaliada com exames como o campo visual e o OCT (tomografia que gera imagens do nervo óptico). A gravidade do dano no nervo pesa na decisão. E, quando a pressão está mal controlada, a cirurgia refrativa não é considerada.
Os critérios gerais do procedimento estão na página de cirurgia de correção de grau a laser.
Os cuidados que entram na conta
- A pressão durante o procedimento. No LASIK, a pressão do olho sobe por um tempo durante a criação do flap, a fina camada da córnea preparada nessa técnica. Por isso, em alguns pacientes com glaucoma, opta-se por técnicas de superfície, como o PRK, que não usam flap.
- O colírio de corticoide depois. O PRK exige corticoide no pós-operatório, e pessoas com glaucoma ou com história familiar da doença têm mais risco de a pressão subir com esse colírio. Cada técnica tem seus pontos de atenção, e nenhuma serve igualmente para todos.
- O olho seco. Os colírios do glaucoma aumentam o risco de olho seco, uma das complicações mais comuns do LASIK.
- O ângulo estreito. Quando existe indicação de iridotomia, a orientação é fazê-la primeiro e discutir a cirurgia refrativa depois.
A leitura da pressão muda depois do laser
Depois da cirurgia refrativa, a córnea fica mais fina, e a pressão medida tende a aparecer mais baixa do que realmente é. Por isso, o glaucoma pode passar despercebido por quem olha só o número da pressão.
Já o diagnóstico do glaucoma, hoje, é feito sobretudo pelo campo visual e pela imagem da camada de fibras nervosas do fundo do olho, exames que a cirurgia refrativa não altera.
Pensa em deixar os óculos e tem glaucoma ou suspeita da doença? Agende uma avaliação com exames pelo WhatsApp.

O que a cirurgia pode melhorar e o que ela não devolve
O dano que o glaucoma causa no nervo óptico é permanente e não pode ser revertido, como explica a Academia Americana de Oftalmologia.
Por isso, a cirurgia de catarata pode melhorar a parte da visão que a catarata tirou, mas não recupera o que o glaucoma já levou. Da mesma forma, o laser refrativo tem como objetivo corrigir o grau e não trata o glaucoma.
O acompanhamento continua depois de operar
O tratamento do glaucoma é contínuo, sem prazo para terminar, e o monitoramento é fundamental para o controle da doença, segundo o protocolo do Ministério da Saúde. A frequência das consultas é definida pelo oftalmologista conforme o controle da pressão e a evolução de cada caso.
Na clínica, os exames do acompanhamento incluem, conforme a indicação:
- medida da pressão ocular;
- análise do nervo óptico;
- gonioscopia;
- paquimetria, que mede a espessura da córnea, um dado que influencia a leitura da pressão.
Veja como funcionam a consulta e os exames oftalmológicos.
Avaliação com a Dra. Jorica Aloan
A Dra. Jorica Aloan é médica oftalmologista (CRM 631124-RJ · RQE 22532), com quase três décadas de atuação e mais de 17 mil cirurgias realizadas. O acompanhamento é feito pela mesma médica, do diagnóstico ao pós-operatório.
Na consulta, a indicação de cada cirurgia é individual e definida a partir da avaliação e dos exames.
- Unidades: Barra da Tijuca e Benfica, no Rio de Janeiro.
- Horário: segunda a sexta, das 8h às 20h.
- Agendamento: pelo WhatsApp (21) 99988-2029.
Perguntas frequentes
Posso continuar usando os colírios do glaucoma antes da cirurgia de catarata?
Siga a orientação do seu oftalmologista. Manter, ajustar ou suspender cada colírio é uma decisão tomada para o seu caso, na preparação para a cirurgia.
Depois de operar a catarata, vou poder parar os colírios do glaucoma?
Não dá para saber antes. O efeito da cirurgia de catarata sobre a pressão depende do tipo de glaucoma e muda de uma pessoa para outra, e o tratamento do glaucoma é contínuo. Por isso, reduzir ou retirar algum colírio é uma decisão do oftalmologista, com base nos exames de acompanhamento.
A pressão do olho pode subir logo depois da cirurgia de catarata?
Pode. Estar com a pressão estável com colírio antes da operação não elimina esse risco: em pessoas com glaucoma, subidas de pressão logo após a cirurgia de catarata são mais prováveis do que em quem não tem a doença. Para os casos de maior risco, a recomendação é conferir a pressão já no dia da cirurgia ou no dia seguinte.
Ter suspeita de glaucoma impede o LASIK?
Não necessariamente. A orientação é que, com o restante do olho saudável, a suspeita sozinha não deve ser um problema para o LASIK. A avaliação com exames do nervo óptico e do campo visual serve para investigar se existe glaucoma e em que grau.
O LASIK pode causar glaucoma?
O LASIK em si não causa glaucoma nem deixa a pessoa mais propensa à doença. O cuidado está no pós-operatório: o colírio de corticoide usado depois da cirurgia refrativa pode fazer a pressão subir e levar a um glaucoma causado pelo corticoide, com risco maior para quem já tem glaucoma ou história familiar da doença. E, como a leitura da pressão muda nas consultas seguintes, vale avisar todo oftalmologista que você já fez cirurgia refrativa.
Em resumo
- Ter glaucoma não impede, por si só, a cirurgia de catarata, e também não é uma proibição automática à cirurgia a laser para tirar os óculos.
- Pesam na decisão a pressão do olho controlada, a saúde do nervo óptico e, no caso da catarata, o quanto ela já limita a visão. A análise é individual e acontece na avaliação.
- Para operar a catarata, a orientação é chegar à cirurgia com a pressão controlada. Pessoas com glaucoma têm mais chance de um pico de pressão logo depois da operação.
- No glaucoma de ângulo fechado, retirar o cristalino pode ajudar a baixar a pressão. No de ângulo aberto, o efeito é modesto e varia de pessoa para pessoa. Em nenhum dos dois casos a cirurgia de catarata substitui o tratamento do glaucoma descontrolado.
- Catarata e glaucoma podem ser tratados na mesma cirurgia quando a catarata atrapalha a visão e a pressão não está controlada com remédio ou laser.
- Na cirurgia refrativa, a gravidade do glaucoma e o controle da pressão pesam na decisão. Depois do laser, a pressão medida tende a aparecer mais baixa do que realmente é.
- A visão perdida pelo glaucoma não volta, e o acompanhamento continua depois de qualquer cirurgia.

